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Cotidiano 27nov2020

Histórias Negras Importam: uma curadoria de obras para refletir

Quando pensamos no nosso livro preferido, filme, documentário ou série, será que pensamos em obras protagonizadas ou dirigidas por uma pessoa negra? Será que em um ranking de 5 ou 10 obras preferidas vemos essa representatividade? Precisamos refletir um pouco mais sobre isso e acessar, de fato, mais obras de autoria e protagonismo preto. Não […]

Quando pensamos no nosso livro preferido, filme, documentário ou série, será que pensamos em obras protagonizadas ou dirigidas por uma pessoa negra? Será que em um ranking de 5 ou 10 obras preferidas vemos essa representatividade?

Precisamos refletir um pouco mais sobre isso e acessar, de fato, mais obras de autoria e protagonismo preto. Não porque está em alta falar sobre, mas por razões mais profundas e estruturais.

A filósofa Sueli Carneiro, em sua tese de doutorado, levanta um debate onde o epistemicídio explica a invisibilidade de obras negras presente na cultura brasileira:

“pela negação aos negros da condição de sujeitos de conhecimento, por meio da desvalorização, negação ou ocultamento das contribuições do Continente Africano e da diáspora africana ao patrimônio cultural da humanidade; pela imposição do embranquecimento cultural e pela produção do fracasso e evasão escolar. A esses processos denominamos epistemicídio” (Carneiro, 2005)

A tentativa de apagamento e esquecimento histórico, construído em cima de pilares eurocêntricos e colonialistas, reverbera numa total falta de conhecimento e reconhecimento de pessoas que foram – e são – símbolos importantes na história brasileira e mundial, mas que acabaram ficando no anonimato ou apenas na memória hereditária de ancestrais negros.


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Diante de tantas forças que atuam no processo de apagamento histórico, precisamos resgatar obras, escritas, produções, memórias e patrimônios para somar na construção de ações afirmativas que minimizem e revertam essas mazelas da invisibilidade.

Por isso, queremos compartilhar uma curadoria de obras audiovisuais e documentários importantes com narrativas afrocentradas resgatando o protagonismo preto na história e na cultura. Confira nossa lista:

 

Sankofa – A África que te habita (Documentário)

O fotógrafo César Fraga e o escritor Maurício Barros de Castro rodam a África para investigar a verdadeira história da escravidão e seus impactos.

Partindo de Fortaleza, o projeto viajou por nove cidades das quatro rotas do tráfico transatlântico: Guiné (Cabo Verde, Guiné-Bissau e Senegal), Mina (Gana, Togo, Benim e Nigéria), Angola e Moçambique. A idealização do roteiro partiu da necessidade de César reencontrar suas raízes. “O que mais me incomodava é essa ausência de informações da África pré-período escravocrata no Brasil. Ficava me perguntando: e antes do navio negreiro, o que acontecia lá?”, questiona o carioca, neto de escrava. A cada destino, César registrou vestígios de monumentos, tradições locais e beleza de povos em fotografias, no seu primeiro trabalho profissional nesta linguagem, que virou exposição e ilustrou o livro Do Outro Lado, com pesquisa histórica escrita por Mauricio.

 

Guerras do Brasil.Doc (Documentário)

Guerras do Brasil.Doc apresenta em uma série documental de 5 episódios de 26 minutos, os fatos e as diferentes versões dos principais conflitos armados da história do país. A narrativa será costurada pelos depoimentos dos principais conhecedores dos fatos. Clips de imagens com trilha utilizando imagens de arquivo e ilustrações darão um ritmo ágil aos programas, permitindo ao espectador visualizar os acontecimentos e compreender a história do país a partir do seu cerne: o conflito.

A história do Brasil passa, e muito, pela história da escravidão. Cerca de 12 milhões de negros foram arrastados de suas terras e trazidos como escravos para trabalhar no Brasil e formar essa nação. O 2º Episódio da série conta como, durante o período de escravidão, negros de todas as etnias em um grito de liberdade fogem dos engenhos para se refugiarem em Quilombos. O nascimento de Palmares e as comunidades afro-indígenas. A ascensão e os mais de 100 anos de luta e resistência dos Quilombos. Quem foi Zumbi e a luta contra a Coroa Portuguesa. Os Bandeirantes e as batalhas pela queda de Palmares.

 

Negritudes Brasileiras (Documentário Visual)

“O documentário visual “Negritudes Brasileiras” dirigido por Nátaly Neri nasce não só como uma forma de dar continuidade ao debate racial brasileiro localizando-o no tempo presente com a ascensão de novos conceitos como representatividade e a crescente popularização da internet, mas também surge da demanda de muitos seguidores do Afros e Afins que durante três anos de existência do canal perguntaram identificação racial.

A oportunidade de construir esse documentário surge com o projeto do Youtube, o Creators For Change, que oferece estrutura para que criadores produzam conteúdo engajado na plataforma visando combater discursos de ódio, racismos, xenofobias, etc.

Negritudes Brasileiras tomou corpo e forma ao me juntar com o fantástico coletivo audio-visual Gleba do Pêssego, formado por jovens criadores da área LGBTs e periféricos da cidade de São Paulo. Juntos unimos minhas ideias, intenções e referências teóricos à uma linguagem audiovisual interessante aos olhos, mente e ouvidos.

Negritudes Brasileiras objetiva continuar fomentando o debate sobre identificação racial no Brasil, oferecendo ferramentas para que pessoas racializadas — especificamente negras — compreendam o porquê de essa questão ser tão complexa à nós brasileiros.”

 

Afronta! (Série Documental)

Composta por 26 episódios, de 15 minutos cada, Afronta! apresenta artistas e pensadores negros contemporâneos a partir de experiências e relatos pessoais, que discutem representatividade, pertencimento, empreendedorismo, ancestralidade e AFROFUTURISMO; reflexões que contribuem para a compreensão de como os negros brasileiros estão criando uma rede e gerando autonomia para alterar a realidade hoje e inventar o amanhã. Filmado no Brasil e EUA, Afronta! apresenta nomes da cena musical como Anelis Assumpção, Karol Conka, Liniker, Tássia Reis, a blogueira baiana Magá Moura, a curadora e diretora criativa Diane Lima e a bailarina carioca do Dance Theatre of Harlem, Ingrid Silva. São músicos, bailarinos, atores, curadores de arte, artistas visuais, DJs, Cool Hunters, poetas, cineastas, produtores culturais, comunicadores e empreendedores que expõem suas trajetórias, conquistas e inquietações em trocas carregadas de complexidade, beleza e afeto.

 

Interfaces do Racismo (Documentário)

A campanha Interfaces do Racismo é composta por quatro mini-documentários de até 10 minutos divididos em quatro eixos: racismo institucional, racismo estrutural, racismo ambiental e racismo religioso. A divulgação dos vídeos será semanal.

No primeiro episódio da série, são abordadas questões sobre o Racismo Estrutural.

Este vídeo é uma iniciativa do Grupo de Trabalho de Políticas Etnorraciais e foi produzido pela Assessoria de Comunicação da Defensoria Pública da União.

 

Chico (curta metragem)

2029. Treze anos depois de um golpe de Estado no Brasil, crianças pobres, negras e faveladas são marcadas em seu nascimento com uma tornozeleira e têm suas vidas rastreadas por pressupor-se que elas irão, mais cedo ou mais tarde, entrar para o crime. Chico é mais uma dessas crianças. No aniversário dele, é aprovada a lei de ressocialização preventiva, que autoriza a prisão desses menores. O clima de festa dará espaço a uma separação dolorosa entre Chico e sua mãe, Nazaré.

Esta lista tem conteúdo pra refletir e abrir inúmeros diálogos sobre representatividade e visibilidade de histórias pretas. Depois conta pra gente o que achou desta curadoria!


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Lygia Anthero

15 min.
27nov2020
Cotidiano

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