Cotidiano 08jul2019

A arte da resiliência: conheça o artista Luiz Fernando Ferrarini

Resiliência. Quando estava fazendo um tratamento de reabilitação em Brasília, em 2013, Luiz Fernando Ferrarini, 30, teve seu primeiro contato com as artes plásticas. De lá para cá, o que parecia uma atividade desagradável, tornou-se a sua paixão — e sua forma de comunicar os sentimentos ao mundo. O resultado de todos esses anos de […]

Resiliência. Quando estava fazendo um tratamento de reabilitação em Brasília, em 2013, Luiz Fernando Ferrarini, 30, teve seu primeiro contato com as artes plásticas. De lá para cá, o que parecia uma atividade desagradável, tornou-se a sua paixão — e sua forma de comunicar os sentimentos ao mundo. O resultado de todos esses anos de prática estão expostas em nossa unidade em Curitiba.

“No começo, eu pensei: ‘nossa, que chato, não quero fazer isso.’ Mas, hoje, tirar isso [a pintura] é como tirar um braço”, afirma Luiz. Mas a simpatia pelo desenho e grafite vêm de antes, ainda na juventude. Hoje, o artista cria suas telas utilizando um mouse adaptado em seu notebook, já que perdeu os movimentos após uma lesão medular, em 2011. Cria o que chama de “grafite digital”, sempre com base no abstracionismo.


(+) Veja também: Tire a sua ideia do papel



Em uma conversa descontraída em sua casa, Luiz compartilha, com muito bom humor, seus sonhos e desejos. Um deles é um mochilão pela Europa — sem se limitar ao continente e deixar de passar por Tóquio, no Japão. Na juventude chegou a morar na Nova Zelândia. Naquela época, almejava uma carreira no skate e chegou a participar de campeonatos na cidade.

“No fim do arco-íris sempre tem algo… keep going. Vai andando e não pode parar”, conta o artista que dá lição de resiliência e bom humor.

Suas limitações abriram espaço para novas habilidades — e exercício da resiliência. “Eu me perguntava ‘por que eu?’ [sofri o acidente]. Foram anos trabalhosos”, relembra sobre seu processo de aceitação. Mas o filme de Freddie Mercury, que viu no cinema esse ano, tem uma mensagem que Luiz sempre aplica à sua vida: “No fim do arco-íris sempre tem algo… keep going. Vai andando e não pode parar.” Assim mantém claros seus objetivos e metas. “Se for pensar, tem que pensar alto”, complementa.

Entre cores e formas geométricas

Seu grande ídolo, o pintor Kandinsky, diz que “a cor é uma energia que influencia diretamente a alma”. As obras de Luiz, com suas cores vibrantes e variadas, mostram isso. “Tem pessoas que vão surfar para desestressar, eu começo a pintar – e parece que expulsa tudo [de ruim]”, conta. “É meu momento zen.” Mas isso é só 50% da sua meditação, o restante é na gaita, que toca há um ano e seis meses. Já tentou violão e pandeiro, mas foi na gaita que se encontrou. Nesse meio tempo já compôs duas músicas, que exibe, orgulhosamente, para quem quiser ouvir.
Sua outra paixão é o Coritiba, time do coração. Quem entra em seu quarto, que tem uma bela vista para as araucárias e prédios próximos, percebe logo de cara: paredes verdes, fotos com o time e uma camiseta autografada e enquadrada. “Quem é atlético?”, brinca quando é perguntado sobre qual dos dois está na primeira divisão. É simples e preciso na resposta sobre o que mais gosta: a vida. E essa continua sendo sua maior inspiração para fazer arte.
A exposição fica aberta ao público em nossa cozinha até 31 de julho. Todas as obras estão à venda.

Nex Conteúdo

15 min.
08jul2019
Cotidiano