Empreendedorismo inovador: ponte para um futuro socioeconômico mais desenvolvido

Em Trabalho por Nex Coworking29 Comments

Por Guilherme Santos e Antonio Lima

A cena econômica do país pode não ser das mais favoráveis, e por isso mesmo projetos de saída dessa situação devem ser estimulados. Esses projetos ajudam a vislumbrar uma trajetória sustentável a longo prazo para o nosso desenvolvimento socioeconômico. Um caminho especialmente interessante é o estímulo ao empreendedorismo e à inovação.

É justamente em momentos de crise e de fechamento de postos de trabalho que a atividade empreendedora se fortalece. Como mostrou a pesquisa realizada pelo Sebrae em parceria com o Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP) para o Global Entrepreneurship Monitor (GEM) em 2014, o Brasil tem uma das dez maiores taxas de empreendedorismo do mundo. O estudo também apontou o crescimento do empreendedorismo por oportunidade, em detrimento do empreendedorismo por necessidade. A diferença entre os dois tipos é ligada à motivação para iniciar o negócio. O empreendedorismo de necessidade surge a partir de pessoas que iniciam um empreendimento autônomo por não possuírem melhores opções de trabalho e precisam iniciar um negócio para gerar renda. Já os empreendedores de oportunidade têm opções de empregabilidade, mas optam por iniciar um negócio novo. Essa segunda modalidade atingiu mais de 70% dos novos empreendedores brasileiros, segundo o relatório. De todo modo, mesmo havendo um expressivo grau de empreendedorismo entre brasileiros, há baixo nível de inovação nos empreendimentos do país. O Brasil tem uma das taxas mais baixas de lançamentos de novos produtos no mundo: menos de 4% do total de empreendedores afirmam que seus produtos podem ser considerados novos.
Segundo o relatório GEM de 2006, quase metade dos empreendedores do país tem o mínimo potencial inovador. Para o observatório de empreendedorismo da Endeavor, os empreendedores brasileiros têm a pior taxa de inovação empresarial do mundo, correspondente a 11%. Trinidad e Tobago e Bangladesh estão no mesmo patamar. De acordo com esse número, somente um pequeno percentual de empreendedores lança produtos novos ou desconhecidos no mercado nacional e internacional. Isso demonstra ainda que o Brasil se encontra em estágio inicial de capacitação tecnológica. Ou seja, temos muito o que fazer. Falta muito para que o potencial empreendedor da população brasileira se reflita em um tipo de empreendedorismo mais inovador.

De acordo com o Manual de Oslo** , empreendimentos inovadores são diferenciados pela criação de novas formas organizacionais, novos produtos, novos processos, abertura de um novo mercado, ou desenvolvimento de novas fontes de suprimento de matéria-prima ou outros insumos. Infelizmente no Brasil esses empreendimentos enfrentam desafios significativos para sua consolidação e crescimento. Por virem de uma economia periférica e caracterizada por um sistema de inovação pouco dinâmico e historicamente importador de tecnologia, as empresas brasileiras sofrem limitações no que tange ao acesso a recursos financeiros, à escassez de mão-de-obra qualificada, e à interação diminuta entre universidades e institutos de pesquisa e o mercado. Além disso, por não serem plenamente integradas, as redes de inovação se mostram pouco densas e com baixo dinamismo. Para isso melhorar, precisamos ultrapassar dificuldades estruturais, como a dificuldade de um funcionário público prestar coaching remunerado para empreendimentos inovadores.

Temos ainda inúmeros entraves para o desenvolvimento e aprimoramento do ecossistema inovador brasileiro devido ao próprio marco regulatório do país. Os dados do relatório “Doing Business” do Banco Mundial revelam que empreendedores gastam mais de quatro meses para abrir uma empresa e dedicam, em média, 2600 horas por ano para declarar e pagar impostos, sendo essa de longe a cifra mais alta do mundo. As normas tributárias são também um desafio: desde 1998, foram criadas mais de 300 mil novas regras e ainda assim continuam sendo rígidas na visão dos empresários empreendedores. São muitos os obstáculos que dificultam a criação e o desenvolvimento de empreendimentos inovadores.

O estímulo à inovação é um componente fundamental para o desenvolvimento econômico, seja em períodos de recessão ou não. No entanto, em momentos de crise a inovação torna-se ainda mais estratégica, já que é preciso buscar maior eficiência com menores custos. Nessas condições ainda empresas inovadoras tendem a ser mais resilientes em condições adversas. É por isso que empreendimentos inovadores devem ser estimulados e assistidos por políticas públicas que contribuam para o seu crescimento e desenvolvimento.

O projeto “Repensando Inovação”, do ITS Rio, está sendo desenvolvido com o objetivo de criar uma agenda positiva colaborativa e multissetorial para o empreendedorismo inovador no Brasil. Os empreendedores, investidores e empresas brasileiras necessitam de apoio para a remoção de obstáculos, bem como de incentivo e planejamento para a inovação. É preciso que haja amparo legal e políticas públicas que ajudem o empreendedor a crescer, estimulando-o a ganhar escala com produtos e serviços inovadores.

Levando em consideração a importância dos empreendimentos inovadores para a produção e difusão de inovações e o impacto deles na competitividade da economia do país, é preciso que sejam desenvolvidas estratégias de apoio para sua criação, consolidação e crescimento. Universidades, empresas e Governo precisam se unir a esses esforços para ultrapassar os obstáculos à inovação. Afinal de contas, o êxito dos empreendimentos inovadores pode ser um dos elemento-chave para chegarmos a um futuro socioeconomicamente melhor.

*Por Guilherme Santos, doutorando do PPED-UFRJ, e Antonio Lima, analista de projetos do ITS Rio.

** OCDE, redigido em 1990, título: “The Measurement of Scientific and Technological Activities, Proposed Guidelines for Collecting and Interpreting Technological Innovation Data”

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